Se está a ler esta newsletter é muito provável que tenha notado mais cabelo do que o habitual perdido do no ralo.
Decididamente, a menopausa tem humor nego – nascem pelos em zonas onde nunca pensamos ter de investir em depilação, e o tão estimado cabelo começa a ficar mais fino e rarefeito. Chega a ser perverso…
A verdade é que todas as pessoas passam por fases em que notam um aumento da queda, porém, para nós, mulheres, o cabelo é um forte símbolo da nossa essência feminina. Ninguém estranha a alopecia masculina, mesmo que aconteça aos 20 anos (não que isso seja justo…) porém, quando vemos a linha do cabelo a recuar e as pequenas autoestradas a surgir entre folículos, os comentários parecem inevitáveis e a nossa autoestima ressente-se. Felizmente, existem tratamentos disponíveis, uns mais tradicionais, outros inovadores, mas todos centrados em ajudar na recuperação dos nossos preciosos fios.
Porque estou a perder cabelo na menopausa?
A queda de até 100 fios de cabelo por dia é considerada normal, mas quando nos apercebemos que é necessário dar mais uma volta no elástico, sentimos uma inevitável preocupação. Na menopausa, muitas mulheres queixam-se da queda, do enfraquecimento, perda de volume e de mudanças na textura do cabelo. O culpado? O estradiol (o nosso principal estrogénio), que deixa de ser produzido pelo ovário com a mesma intensidade. Muda a pele que perde colagénio e elastina – assunto para uma outra conversa – e muda o cabelo. O estradiol impacta o ciclo de vida dos folículos capilares. Quando em falta, assistimos a um crescimento mais lento, cabelo mais fino e à alteração da textura. Os androgénios (conhecidos como “hormonas masculinas”) podem igualmente desempenhar um papel crítico na saúde do cabelo, com a alopecia androgenética a afetar cerca de 1/3 das mulheres.
Qual a ligação entre as hormonas e a queda de cabelo?
Todas as mulheres têm uma combinação de hormonas sexuais masculinas e femininas. A hormona androgénica, ou hormona sexual masculina, influencia o ambiente do couro cabeludo e o tempo que o cabelo permanece no folículo. Enquanto jovens adultas, o fígado produz uma proteína chamada globulina, que mantém os androgénios controlados na corrente sanguínea. Após a menopausa, o fígado deixa de produzir esta globulina da mesma forma, e os androgénios circulam livremente – o que explica também a pochete, os novos pelos no queixo, a acne súbita, as irregularidades menstruais, e claro, o crescimento e queda de cabelo com padrão masculino.
Durante este período, os folículos capilares encolhem – a chamada miniaturização do cabelo – e perdemos cabelo mais depressa do que conseguimos repô-lo. Observam-se dois padrões mais frequentes: um que afeta todo o couro cabeludo (queda difusa generalizada) e outro que causa o recuo da linha frontal do cabelo. Ambos podem acompanhar-se do crescimento excessivo de pelos faciais.
As 4 fases do crescimento capilar:
O cabelo passa por quatro fases distintas. Quando estamos sob stress, o corpo altera a duração normal de cada fase, resultando na queda de cabelo:
- Fase de Crescimento (Anágena):
A mais longa, dura entre 2 e 7 anos. Em situações de saúde ideal, quase todo o nosso cabelo está nesta fase.
- Fase de Transição (Catágena):
Dura cerca de 3 semanas. O cabelo desliga-se da base onde cresce.
- Fase de Repouso (Telógena):
Nesta fase o cabelo não cresce, mas permanece no folículo. Pode durar cerca de 3 meses e corresponde a 10-15% do cabelo.
- Fase de Queda (Exógena):
Dura entre 2 a 5 meses. O cabelo antigo cai e começa a crescer um fio novo.
Fatores que influenciam a queda de cabelo:
- Stress:
Altos níveis de stress físico, mental ou emocional podem causar uma queda acentuada de cabelo (eflúvio telógeno). Esta condição, embora assustadora, não é permanente e normalmente melhora 3-4 meses após a resolução do fator de stress. Durante o eflúvio telógeno o corpo muda os folículos da fase de crescimento para a de repouso, e é isto que causa o aumento da queda.
- Gravidez:
Apesar das vitaminas pré e pós-natais, entre 40-50% das mulheres têm uma significativa queda de cabelo 3-4 meses após o parto. Se não estiver associada a um défice nutricional, é temporária, e o cabelo tende a recuperar em 6-12 meses.
- Hipotiroidismo:
Um funcionamento anómalo da tiroide pode provocar aqueda de cabelo. Se tem queixas de fadiga intensa, névoa mental, palpitações, digestão lenta ou instável, seria importante dosear a hormona estimulante da tiroide (TSH).
- Défices Nutricionais:
Mesmo com uma alimentação equilibrada, por vezes faltam nutrientes essenciais ao crescimento celular e força dos folículos. A falta de zinco e ferro, por exemplo, pode inibir o crescimento capilar. É importante verificar níveis das vitaminas A, B, C, D e E, mais ferro, selénio e zinco. Suplementar só ajuda se houver défice comprovado.
- Alopecia Areata:
Trata-se de uma doença autoimune em que o sistema imunitário ataca os folículos. Pode causar áreas calvas arredondadas e até mesmo a queda total. Não é permanente, mas pode reaparecer.
- Infeções:
Certas infeções provocam a queda de cabelo. Exemplo: a tinha (caracterizada por manchas e comichão do couro cabeludo), a foliculite (infeção dos folículos), a dermatite seborreica, etc.
- Penteados apertados ou acessórios:
Prender o cabelo com força ou escová-lo agressivamente pode provocar a quebra dos fios.
Há Soluções!
A queda de cabelo pode ser abordada com diferentes estratégias combinadas:
Minoxidil: Estimula os folículos e melhora a circulação. Disponível em forma líquida (sem receita) ou oral (com receita). Resultados em 3 a 6 meses.
Finasterida e Dutasterida: Bloqueadores da enzima 5-alfa redutase, que reduzem a conversão de testosterona em DHT, hormona envolvida na alopecia androgénica. A dutasterida tem uma ação mais ampla e pode ser mais eficaz, mas o uso em mulheres deve ser bem avaliado. Ambas podem ser usadas por via oral (com o minoxidil), com efeitos visíveis após 6 meses.
Espironolactona: Antiandrogénico oral que reduz o impacto hormonal no folículo capilar. É particularmente útil em mulheres com sinais de excesso androgénico (acne, oleosidade, SOP). Exige monitorização e não é indicado em mulheres com hipotensão ou risco de hipercaliemia (baixos níveis de potássio).
Terapêutica hormonal da menopausa (THM): O estrogénio e a progesterona podem ajudar se houver desequilíbrios hormonais, mas a THM não é usada isoladamente para tratar a queda de cabelo.
Nutracêuticos: Ingredientes como o saw palmetto, o colagénio, a maca, a curcuma, a vitamina D, o ómega-3, o zinco, o ferro e a ashwaganda podem melhorar o crescimento capilar. Prefira sempre suplementos com certificação de qualidade.
Óleo de alecrim/rosmaninho: Natural e bem estudado. Estimula a circulação e reduz inflamação no couro cabeludo.
Microneedling: Pode ajudar na alopecia androgenética e no eflúvio telógeno ao estimular os folículos.
Luz vermelha: Tratamento não invasiva promissor, com bons resultados preliminares.
Estas opções são geralmente usadas de forma combinada para ajudar a aumentar a densidade e espessura do cabelo, e a reduzir a queda. Porém, adotar um estilo de vida que promova uma resposta inflamatória equilibrada e a correta absorção dos nutrientes é igualmente importante para apoiar o crescimento capilar e o bem-estar geral.
Não há uma solução única para reverter a queda de cabelo, mas existem opções. A deteção e o tratamento precoces fazem toda a diferença. Quanto mais cedo agir, melhores os resultados. Desequilíbrios hormonais são uma causa comum e muitas vezes negligenciada, especialmente na perimenopausa e menopausa. A medicina funcional ajuda a identificar a raiz do problema, avaliando não só os sintomas visíveis, mas também os fatores hormonais, nutricionais e inflamatórios que contribuem para a queda de cabelo.
O caminho certo é sempre individual. E começa com a informação e a abordagem individual.




