Mudar a hora no verão e no inverno traz vantagens, como o maior tempo com luz solar. Mas os primeiros dias da mudança podem ter consequências.
Durante a noite do último sábado de março, já na madrugada de domingo, e no último fim de semana de outubro, há anualmente uma mudança horária em Portugal e na Europa: o relógio anda uma hora para a frente no verão e, ao contrário, anda uma hora para trás a meio do outono. Esta alteração horária tem alguns benefícios, mas também pode trazer consequências diretas e indiretas para a saúde, havendo quem defenda que devia ser abandonada. Saiba o que fazer para evitar os efeitos negativos da mudança horária.
Sabia que…
A mudança da hora em Portugal foi motivada pela Primeira Guerra Mundial. Começou em junho de 1916, seguindo outros países europeus que o começaram a fazer para poupar energia à noite. Assim que a guerra terminou, a maioria dos países abandonou a medida, retomando a mudança da hora na Segunda Guerra Mundial. A partir daí permaneceu, com algumas alterações, até aos nossos dias, não sendo adotada em todo o mundo.
Vantagens da mudança da hora
As civilizações antigas já faziam alterações nos horários do dia e da noite há milhares de anos. O objetivo sempre foi o mesmo: ganhar um pouco mais de tempo de dia na primavera e verão, quando as horas de sol são maiores. Foi o esforço de guerra que acelerou a aplicação da mudança da hora no último século, devido à necessidade de poupar energia. No entanto, outras vantagens foram encontradas. Na primavera, adiantar a hora permite ter mais luz ao final da tarde e noite, beneficiando tanto as atividades profissionais como o lazer, sem prejuízo da luz matinal, devido a haver mais horas de sol em geral. Um dos aspetos positivos resultantes é o aumento da segurança na rua. Já no outono, apesar de anoitecer mais cedo, é conseguida mais luz solar de manhã para começar o dia.
Desvantagens da mudança da hora
Nos últimos anos, a discussão em torno do fim da mudança da hora tem vindo a aumentar, principalmente devido à questão energética, que perde importância na atualidade. Por outro lado, apesar de não haver confirmação científica suficiente e até resultados contrários, existem vários estudos que apontam para consequências diretas para a saúde ou maior propensão a acidentes devido à mudança da hora. Esses efeitos são sentidos essencialmente na primeira semana após a entrada no horário de verão ou de inverno.
Quais as consequências para a saúde
No momento de andar uma hora para trás ou para a frente, surgem perturbações no ritmo circadiano, o ciclo natural do nosso corpo, que inclui as horas de sono e o tempo despertos, e que é profundamente influenciado pela luz. Ao aumentar a exposição à luz solar ao final do dia, atrasamos a libertação de melatonina, que promove o sono, contrariando assim a necessidade real do organismo descansar. Já no horário de inverno essa preparação para o tempo de sono pode começar mais cedo. Se algumas pessoas lidam bem com a mudança e outras têm dificuldades de ajustamento só nos primeiros dias, em alguns casos os efeitos podem ser mais prolongados.
Desde logo, a principal consequência é a fadiga, devido à alteração no tempo de sono. Em média, são cerca de 40 minutos perdidos por dormir um pouco mais tarde no início do horário de verão e acordar mais cedo quando começa o horário de inverno. Outros efeitos possíveis, diretamente relacionados com essa alteração do ritmo circadiano, podem ser eventualmente mais intensos, mas habitualmente são limitados às semanas seguintes à mudança da hora.
As pessoas que trabalham por turnos, os adolescentes e quem sofre de transtornos relacionados com o sono estão em maior risco de sofrer os efeitos negativos da mudança da hora para a saúde.
No que diz respeito à saúde mental, estudos europeus concluíram que a mudança da hora no inverno pode ter consequências na depressão, tendo sido reportado um ligeiro aumento de episódios depressivos e psicose depressiva. Pelo contrário, esse efeito não foi encontrado na mudança para o horário de verão. Apesar de estar descrita a associação entre o horário de inverno e impactos negativos no humor ou energia, bem como o aumento do bem-estar no caso do verão, não existem estudos científicos suficientes para determinar com exatidão os efeitos da mudança da hora nas pessoas.




